Transcrição da crónica diária transmitida aos microfones da :http://www.dianafm.com/
Eduardo Luciano - A última do ano ou a perspectiva da minha prima Zulmira para 2011
Quinta, 30 Dezembro 2010
A minha prima Zulmira é uma excelente conselheira, quando se trata de avaliar o futuro. Por isso oiço-a sempre com muita atenção quando, perto do fim do ano, se põe a perorar sobre os próximos 365 dias.
Acha ela que o próximo ano não vai ser grande coisa para a maioria dos portugueses. Ouviu dizer na televisão que os salários vão baixar, os impostos sobre o trabalho vão subir, os preços dos produtos de primeira necessidade também.
Por aquilo que tem visto e ouvido quase que aposta que PS, PSD e CDS estão aflitinhos para que Cavaco ganhe as eleições. Uns por acção, outros por omissão estão a esforçar-se bastante nesse sentido.
Disse-me a Zulmira em voz baixa, como quem anuncia um grande segredo, que os donos deste rectângulo à beira-mar plantado estão a preparar a mudança de gerência. Acham que estes gestores não são eficazes na prossecução dos seus interesses.
Vai daí, diz ela, provavelmente lá teremos eleições em que nos irão tentar vender que a única escolha é entre Dupond e Dupond, entre cara e coroa da mesma moeda, entre PS e PSD.
Disse-me ainda, com o tal ar de guardiã de segredos que toda gente sabe, que vamos ter avalanches de campanhas de caridade, algumas delas organizadas por aqueles que mais lucram com a crise e que são responsáveis pelo desespero em que muitas famílias vão mergulhar.
Uma coisa do género... o banco x oferece os sacos de plástico para utilização do banco alimentar contra a fome.
Ou a empresa y oferece 1 cêntimo por cada 100 euros de chamadas que realize para o número...
A Zulmira acha que o FMI, ou outro bicho do mesmo género, nos irá entrar porta dentro para impor ainda mais sacrifícios aos mesmos de sempre, com os agradecimentos do triângulo da política de direita.
Como estão a ver, a minha prima não augura nada de bom para os dias que aí vêem. Logo ela que no fim de cada ano costuma ter uma fé inabalável no futuro.
Mesmo a acabar a conversa perguntei-lhe quais eram as previsões que ela tinha para a resistência a estas medidas. Irão os trabalhadores, os desempregados, os pequenos empresários, os reformados e pensionistas assistir passivamente a esta ofensiva que os empurrará para o abismo?
A Zulmira sorriu-me, começou a tamborilar com os dedos na mesa e desatou a cantar uma canção de Gabriel, o Pensador.
"Não adianta olhar pró céu com muita fé e pouca luta
Levanta ai que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer"
Até para o ano... quem sabe
Eduardo Luciano
1 comentário:
Nem a prima Zulmira nem eu. Vai ser de ou vai ou racha.
Mas assim não vamos lá.
Só aumentos ...só aumentos mas nos ordenados só roubar...so roubar.
Tá bonito está.
olha já lá foste foste
Eu
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